Vaquinha virtual - Vasconcelos Mkt

Vaquinha virtual

A partir de 15 de maio, os candidatos vão poder recorrer ao financiamento coletivo (crowdfunding), também chamado de “vaquinha” virtual, para levantar recursos para suas campanhas. Trata-se de mais uma alternativa para que os concorrentes busquem dinheiro para bancar suas candidaturas, uma vez que a grana será muito menor do que na eleição de 2014.

Na disputa de quatro anos atrás, os candidatos a presidente, governadores, senadores, deputados federal e estadual gastaram, tudo somado, R$ 5,1 bilhões, conforme a prestação de contas feita pelos partidos à Justiça Eleitoral. Para este ano, como está proibida a doação por parte das empresas, foi criado um fundo especial para o financiamento da campanha eleitoral com recurso público, que deve ser da ordem de R$ 1,7 bilhão.

10% de seu rendimento bruto do ano anterior

Junto com o financiamento público, ficou também estabelecido que as pessoas físicas poderão doar até 10% de seu rendimento bruto do ano anterior ao da eleição. A vaquinha virtual vai tentar convencer o eleitor a dispor de uma parcela do seu ganho em 2017 para ajudar a eleger o seu candidato preferido.

Não será tarefa fácil

Primeiro, é preciso lembrar que não há, no Brasil, tradição de doações do cidadão comum para campanhas eleitorais, como em outros países. Segundo, ainda não superamos a pior crise econômica da nossa história, que deixou uma legião de 13 milhões de desempregados.

Com as obrigações financeiras inadiáveis, como o pagamento da conta de luz, do gás, aluguel, escola das crianças etc., a doação de parte do orçamento para bancar campanhas políticas dificilmente estará na lista de prioridades do eleitor. E, além de tudo isso, a classe política está vivendo o seu período de maior desgaste e é hoje mais execrada do que a Geni imortalizada pelo cantor e compositor Chico Buarque.

Vale recordar as experiências do passado

No rastro da campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, em 2008, o modelo de capitação de recursos via internet para financiar uma parte da campanha foi usado pela primeira vez no Brasil na eleição de 2010. Obama, que alcançou o status de pop star, conseguiu arrecadar para sua campanha, via internet, 3 milhões de dólares (no total, o candidato democrata captou US$ 500 milhões).

A então candidata pelo PT Dilma Rousseff teve menos sorte. Conseguiu levantar, na sua primeira campanha presidencial, modestos R$ 180 mil. Já Marina Silva, disputando naquele ano a eleição pelo PV, arrecadou R$ 171 mil. José Serra, postulante do PSDB ao Palácio do Planalto, nem quis usar do expediente. Na época, a coordenação da campanha tucana alegou que o custo-benefício da medida não se mostrou vantajoso.

Não foi muito diferente na eleição de 2014

Dilma Russeff, candidata à reeleição, e Marina Silva, disputando pelo PSB, conseguiram, juntas, arrecadar, via internet, cerca de R$ 400 mil, menos de 0,5% do que as duas campanhas declararam ter recebido de doações. Aécio Neves, que disputou pelo PSDB, a exemplo de Serra, nem quis aderir ao modelo.

Ou seja, o candidato que depender de recurso da vaquinha virtual para bancar sua campanha corre sério risco de dar com os burros n´água. Tudo indica que, a exemplo de anos anteriores, o valor arrecadado por meio do financiamento coletivo será pífio.

Eleição custa dinheiro e a sociedade ainda não está disposta a participar desta “festa”.

Deixe uma resposta