TV a principal ferramenta de propaganda eleitoral - Paulo Vasconcelos

TV, a principal ferramenta

Num dos primeiros artigos que publiquei aqui no Blog, tratei do papel da internet nas próximas eleições (Redes Sociais e Eleições). Em síntese, argumentei que considerava exagerada a avaliação de alguns profissionais de comunicação de que a internet será a principal arma da próxima campanha eleitoral. Disse, e estou cada vez mais convencido, que a mais importante ferramenta desta eleição ainda será a televisão.

Propaganda eleitoral na televisão

A propaganda eleitoral na televisão e no rádio vai começar no dia 31 de agosto. Serão 35 dias de campanha eletrônica, a mais curta das últimas eleições, por conta de alterações na legislação eleitoral. Até 4 de outubro, antevéspera da eleição, os partidos terão dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos (um à tarde e outro à noite) e mais 14 minutos que serão distribuídos pelos partidos para os comerciais de 30 segundos.

Nos bastidores, é intensa a negociação entre os partidos em busca de coligações que possam representar aumento do tempo para os candidatos na propaganda eleitoral. No caso da eleição presidencial, cujos programas serão exibidos às terças, quintas e sábados, a diferença de tempo que os principais partidos terão em relação ao pleito de 2014 é brutal e segundos a mais agora valem ouro.

PT, MDB, PSDB

PT, MDB, PSDB têm, individualmente, os maiores tempos na propaganda gratuita de rádio e televisão. Mas buscam entendimentos com outros partidos para ampliar a exposição de seus candidatos na propaganda eletrônica.

Jair Bolsonaro, que lidera a corrida presidencial, segundo as pesquisas, nos cenários sem o petista Lula, tem apenas 10 segundos na TV e no rádio com o seu pequeno PSL. Mas há boa chance de um entendimento com o PR, que tem direito a 48 segundos, o que elevaria seu tempo para quase 1 minuto.

O presidencial Ciro Gomes, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, tem, com o seu PDT, direito a tempo curtíssimo de 33 segundos na propaganda de rádio e TV. Mas há uma frenética negociação dos pedetistas com o PSB, que agregaria à campanha eletrônica do presidenciável mais 53 segundos.

Situação mais delicada tem Marina Silva, candidata da Rede. Seu tempo na propaganda será de apenas dez segundos e não há, por enquanto, nenhum sinal de que seu partido vai se coligar com outras legendas. Mas a própria candidata tem dito que está preferindo alianças com movimentos sociais. Veremos em breve o resultado.

Redes sociais?

E o que estamos percebendo no caso do trabalho que está sendo feito por todos os pré-candidatos, em maior ou menor escala, nas redes sociais? Como a legislação permite, todos estão tentando impulsionar suas candidaturas, com a utilização de alguns recursos audiovisuais, que costumam atrair mais a atenção dos internautas e custa um bom dinheiro.

Com essa estratégia, é bem verdade, muitos estão conseguindo sair do anonimato. Mas qual o resultado de tudo isso para o candidato que está em busca de voto? Zero, a julgar pelo que estão mostrando as pesquisas de intenção de voto. Esses que trabalham de forma até frenética nas redes sociais conseguiram cair no gosto do eleitorado? No gosto pode até ser, mas isso não se traduz em votos, como apontam as pesquisas.

Significa que o candidato deve deixar de investir nas mídias sociais? Por óbvio, não. Mas já disse aqui e repito: o verdadeiro tiro de ganhão com potencial para alterar o quadro eleitoral em outubro ainda continuará sendo a televisão. Ponto.

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