Renovacao - Vasconcelos Mkt

Renovação?

Até muito recentemente, havia uma convicção de que teríamos, na eleição de 2018, uma renovação recorde na política brasileira, em especial no Congresso Nacional. O surgimento de novas agremiações e movimentos da sociedade civil empunhando a bandeira da renovação, do novo, da ética na política reforçava essa sensação de que teríamos muitas caras novas ocupando algum cargo eletivo a partir de 2019. Não teremos.

Acredito, na verdade, que teremos nesta eleição um dos menores percentuais de renovação dos nossos políticos das últimas décadas. Levantamento feito pela Câmara dos Deputados mostra que, historicamente, o índice de renovação na casa, a cada pleito, fica em torno de 50%. Na eleição de outubro, o número não deve estar sequer próximo desse percentual.

A legislação eleitoral contra a renovação

A primeira razão, e talvez a mais importante, como já escrevi aqui no Blog, é que a legislação eleitoral não favorece essa possível renovação. Teremos 35 dias de campanha na TV e no rádio, tempo curtíssimo para que os novos se apresentem, mostrem o que estão propondo e convençam o eleitor de que são as melhores alternativas. Sai na frente, portanto, o candidato à reeleição, pois já tem um nome conhecido e algum serviço para mostrar ao eleitorado.

A campanha mais curta, como também já apontei aqui neste espaço, é o cenário ideal para os candidatos ricos, com recursos próprios para investir na campanha eleitoral, e para os famosos, já bastante conhecidos pelo respeitável público.

Os candidatos endinheirados

No caso dos candidatos endinheirados, o que eles podem fazer, por enquanto, é colocar uma parcela dos seus recursos nas mídias digitais, tentando impulsionar o seu nome e suas propostas.

Muitos pré-candidatos a cargos majoritários (presidente, governador, senador) têm feito isso. Qual o resultado prático? Praticamente zero, se formos considerar os números das pesquisas de intenção de voto. Dito de outra forma, o custo/benefício do investimento feito na internet não tem sido atraente, pois não está se traduzindo em votos. Ou seja, o papel da internet nessa eleição (outro assunto sobre o qual também escrevi por aqui), ainda será secundário.

Outro componente, que também já abordei no blog: ao contrário das grandes democracias do mundo, não teremos, em horário nobre, debates na TV entre os candidatos, que seria uma excelente vitrine para que os novos pudessem se apresentar e mostrar o que propõem de novo para o Brasil, no caso da eleição presidencial, por exemplo.

Debates inuteis ?

No formato de hoje, os debates contribuem pouco para a definição de voto, inclusive porque são exibidos muito tarde, em horário praticamente proibitivo para a maioria do eleitorado, que precisa levantar da cama muito cedo para trabalhar.

Os canais de TV no Brasil são concessões públicas e prestariam um grande serviço à nossa jovem democracia se reservassem um pequeno espaço, de quatro em quatro anos, para o debate político, fundamental para ajudar o eleitor a tomar a sua decisão na hora do voto. Essa possibilidade, entretanto, depende de mudança na legislação, tarefa para o futuro Congresso Nacional, que terá na sua pauta a reforma política.

Por todas essas razões, nas próximas eleições teremos, ao fim e ao cabo, praticamente as mesmas caras com as quais nos acostumamos nos últimos anos.

2 comments

  1. Acho a nossa situação atual muito complicada para ser solucionada pelos eleitores brasileiros confuso e estarrecido pelo o que está acontecendo no país . Uma grande parte está frustada e com raiva e a outra decepsionada e desolada.
    Nenhuma delas terá condições de fazer uma escolha sensata e racional.
    SERA UMA ELEIÇÃO EMOCIONAL, PROVAVELMENTE COM PÉSSIMO RESULTADO

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