Querem acabar com as redes sociais - Paulo Vasconcelos

Querem acabar com as redes sociais

Leio na grande imprensa que o whatsApp, um aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones, com mais de 120 milhões de usuários no Brasil, tomou medidas recentes para tentar coibir a praga das fake news.

O Facebook, não faz também muito tempo, fez a mesma coisa e até firmou parceria com duas agências brasileiras, que ficarão encarregadas de checar a veracidade dos fatos. Por trás de tais medidas, dessas e outras redes sociais, está o temor de que esse ambiente seja usado no período eleitoral para espalhar notícias falsas.

A primeira pergunta que me ocorreu, quando soube da intenção do whatsApp: estão querendo acabar com as redes sociais?

Explico. A bem da verdade, as fake news são a essência das redes sociais, a alma do negócio, terreno fértil onde elas costumam nascer e prosperar, com um poder avassalador para destruir imagens e reputações. Acabando com as fake news, vão acabar com as redes sociais, ora pois.

As redes sociais não são um local adequado para buscar informações

Por óbvio, a pergunta não passa de uma provocação. As redes sociais estão aí para ficar e ainda que algumas desapareçam, por motivos vários, como aconteceu com o Orkut, por exemplo, outras surgirão; e elas continuarão a fazer parte do nosso cotidiano. Mas, definitivamente, não são, e talvez nunca venham a ser, o local adequado para buscar informações.

Não é exagero afirmar que a grande maioria das pessoas que entra nesses espaços para se informar sabe, perfeitamente, que o ambiente não é confiável e, portanto, o que está buscando nada mais é do que as tais fake news.

Quem quiser informações confiáveis sobre os candidatos, saber o que eles pensam, o que propõem, o que pretendem fazer caso eleitos, precisa ir até a banca mais próxima comprar um jornal, uma revista, acessar um site de notícias que seja confiável ou assistir um telejornal ou programa de rádio.

As plataformas confiáveis ?

Nessas plataformas, sim, o leitor vai encontrar um conteúdo assinado, de responsabilidade da empresa ou do profissional de comunicação que o produziu. E esse veículo ou o profissional responderá por ele, em caso de algum erro ou equívoco. Ao contrário, as redes sociais são uma verdadeira terra de ninguém onde tudo, ou quase tudo, pode e é permitido.

Dado que as redes sociais não vão desaparecer, serão parte ativa no processo eleitoral, e que não sobreviverão sem o seu principal insumo, que são as fake News, o melhor, caro leitor/eleitor, é colocar as barbas de molho e se preparar para a disseminação de calúnias e difamações.

Já tratei aqui, em várias ocasiões, do peso das redes sociais nas eleições e continuo achando que elas terão pouca relevância para ajudar a construir candidaturas e mudar, de forma muito substancial, as intenções de voto.

As redes sociais : um papel fundamental na desconstrução de candidatos

Por outro lado, estou absolutamente convencido de que as redes sociais terão um papel fundamental na desconstrução de candidatos e candidaturas, espalhando a cizânia, a intriga, a discórdia.

E esse trabalho “brilhante” de destruição de reputações não pode ser feito sem as famigeradas fake news. Imaginar que elas vão desaparecer é o mesmo que acreditar que as redes sociais estarão, de vez, eliminadas da face da terra.

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