Pragmatismo - Paulo Vasconcelos

Pragmatismo

Na campanha presidencial de 1989,

a primeira após o golpe militar de 1964, nada menos que 22 candidatos se lançaram na disputa. Já se passaram quase 30 anos e muitos dos atuais eleitores não vão se lembrar nem mesmo dos concorrentes mais expressivos naquela eleição, como Ulysses Guimarães (PDMB), Mário Covas (PSDB), Leonel Brizola (PDT), Aureliano Chaves (PFL) – todos já falecidos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputava sua primeira eleição presidencial em 89, numa cédula que traziam também Fernando Collor de Melo (PRN) – então governador do pequeno estado de Alagoas, que se apresentava como o “caçador de marajás” -, Paulo Maluf (PDS), Afif Domingues (PL) e muitos nanicos, como Eneas, Marronzinho, Celso Brant.

Pois bem. Quase três décadas se passaram e na eleição deste ano, tudo indica, teremos também um número expressivo de candidatos ao Palácio do Planalto. Os pré-candidatos já chegaram a 25, hoje estão na faixa dos 20, mas a lista ficará mais enxuta até 15 de agosto, o prazo final para registro de candidaturas. E por qual motivo? Ao contrário das eleições anteriores, não haverá tempo de campanha suficiente, especialmente na TV e no rádio, para alavancar novas candidaturas e novas ideias.

Peguemos, novamente, o caso da eleição de 89. Naquele ano, a legislação eleitoral permitia e Fernando Collor de Melo, do desconhecido PRN e governador de Alagoas, usou o tempo de cinco partidos no horário de rádio e TV para fazer suas pregações e tornar-se conhecido no restante do país.

Foram cinco horas de propaganda no horário nobre, em rede nacional.

Após a exibição dos programas, pesquisa Datafolha indicou que Collor tinha 45% das intenções de voto antes de iniciado o processo eleitoral. Foi para o segundo turno, juntamente com o petista Lula, e venceu a primeira eleição direta após o golpe de 1964.

Da forma como foi desenhada a eleição presidencial de 2018, com as alterações definidas pela justiça eleitoral e campanha curtíssima de TV e rádio de apenas 35 dias, quem vai se beneficiar são os candidatos mais conhecidos. Hoje, a única ferramenta que os concorrentes têm disponível para tentar mostrar suas propostas, suas ideias, e como pretendem gerenciar esse gigante chamado Brasil, é a internet, de eficiência ainda limitada.

Poderia ser um pouco diferente se os veículos de comunicação tradicionais decidissem abrir um pouco mais de espaço para falar da eleição presidencial que, de resto, vai definir o futuro da Nação. Mas a grande maioria optou por uma cobertura monocórdia, que escracha sem distinção a classe política (como se houvesse solução fora da política).

Assim, muitos dos atuais pré-candidatos à presidência vão ficar pelo caminho.

Ao longo dos próximos três meses, as pesquisas de intenção de voto vão mostrar, de forma nua e crua, quem será viável eleitoralmente. Aqueles que apresentarem intenção de voto irrisória, serão, certamente, vítimas do ataque predatório do pragmatismo político.

Sem um cabeça de chapa competitivo, os partidos e os candidatos proporcionais (deputados estadual e federal) vão pressionar por acordos e alianças que ofereçam melhores perspectivas de poder. Sim, porque não se trata de uma disputa ideológica, mas, sim, uma disputa de poder. Portanto, muitos dos pré-candidatos de hoje não terão fôlego para serem, de fato, candidatos a presidente da República quando outubro chegar.

One comment

  1. O que o sistema político brasileiro necessita é uma reforma total , pois retalhos numa colcha de retalhos somete irá torná-la mais colorida e cada vez menos menos eficiente….

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