Outsider de Peso - Paulo Vasconcelos

Outsider de Peso

Chama-se Joaquim Benedito Barbosa Gomes, ou simplesmente Joaquim Barbosa, a bola da vez na sucessão presidencial. Outsider, apolítico, se encaixa como uma luva em um dos pré-requisitos que, considero, é fundamental na disputa deste ano, por conta do tempo curtíssimo de campanha: ele é famoso.

Barbosa aparece com índices entre 8% e 10%

A última pesquisa de intenção de voto do instituto Datafolha corrobora essa afirmação: Barbosa aparece com índices entre 8% e 10%, a depender dos cenários traçados, à frente de políticos tradicionais, como Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo, e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Ainda não é uma grande vantagem e aconteceria também com outros famosos, como Luciano Huck, Faustão etc., se candidatos fossem.

Primeiro negro a ocupar uma cadeira na mais alta corte de Justiça do país, o Supremo Tribunal Federal (STF), por indicação do então presidente Lula, Joaquim Barbosa foi o relator do mensalão, o escândalo de corrupção em que a alta cúpula do PT foi acusada de comprar voto de parlamentares no Congresso Nacional para dar sustentação ao governo petista. Quando as ações foram julgadas, em 2012, ele ocupava a presidência do Supremo.

Recém-filiado ao PSB, Barbosa tem potencial para crescer na preferência do eleitorado. A começar por sua história pessoal, que é mesmo bonita e vitoriosa. Primogênito de oito filhos, com pai pedreiro e mãe dona de casa, foi arrimo de família e saiu de casa aos 16 anos para tentar a sorte em Brasília. Sempre estudou em escola pública, conseguiu fazer o curso de Direito e mestrado e doutorado em Paris. É poliglota. Fala fluentemente inglês, francês, espanhol e alemão.

Um perfil que costuma agradar ao eleitorado

É, portanto, exemplo de superação, de homem negro, de origem muito humilde, que venceu na vida por esforço pessoal. É o típico perfil que costuma agradar ao eleitorado. Com sua longa carreira de servidor público e professor universitário, está longe da agenda negativa que transformou a classe política em sinônimo de corrupção. É, portanto, ficha limpa, outra característica que o eleitor procura nos candidatos.

O Problema ?

Mas como nem tudo são flores, Joaquim Barbosa tem um problema que, não sendo corrigido, pode dificultar muito sua caminhada rumo à Presidência da República – caso ele seja mesmo candidato. Como presidenciável, ele precisa se render minimamente a estratégias de comunicação e marketing mais eficientes, para que ele não fique ao sabor das ondas.

Vários candidatos acharam que poderiam caminhar sem esta ferramenta. Especialmente depois que, por vaidade ou ignorância, o seu papel foi bastante distorcido junto à sociedade. Mas esses mesmos pretendentes que tentaram novas experiências, agora correm atrás dos experientes profissionais de marketing. E aqueles que insistem nos caminhos alternativos, estão estagnados nas pesquisas.

Este é, portanto, o maior desafio de Joaquim Barbosa. Se ele aceitar um trabalho profissional de comunicação ouso dizer que ele será o futuro presidente da República.

Por enquanto, ele surfa em ondas muito favoráveis. Conta com a lembrança de boa parcela da população sobre sua atuação como ministro do Supremo, que combateu de forma implacável a malversação dos recursos públicos.

O trabalho no mensalão, a trajetória pessoal vitoriosa, o servidor público exemplar são atributos importantes para um candidato que pretende chegar ao Palácio do Planalto e podem servir como uma catapulta. Mas estão longe de ser suficientes para abraçar todos os problemas que o país vive.

Numa disputa presidencial, não há dúvida, ele encontrará muitas pedras pelo caminho e precisa se preparar para o desafio. Que não será vencido, insisto, sem um trabalho profissional de comunicação.

2 comments

  1. Em nenhuma hipótese um candidato será eleito à presidência do Brasil sem o auxílio de um profissional ? Esta é a verdade?
    Como o lulinha paz e amor?
    Como o Color caçador de marajás
    Como a Dilma a genial e firme
    Deveremos então escolher inicialmente o marqueteiro , figura crucial na escolha do nosso governantes?

  2. Obrigado pelo comentário.
    Quem escolhe o marqueteiro não é o cidadão/eleitor. Não se preocupe com isso.
    Porém, nas democracias modernas, não existe nenhum caso de presidente eleito sem uma equipe de comunicação que tenha ajudado a levar seu discurso e propostas para todas as camadas da população. Obama, Merckel, Macri, Bachelet o Marcelo em Portugal, todos tiveram seus profissionais e continuarão tendo. E é somente este o peso que tem no processo esta equipe/profissional. É o apoio especializado que se deve ter em qualquer atividade que se esteja exercendo.

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