O peso (zero) dos partidos em 2018

O peso (zero) dos partidos em 2018

Responda rápido, sem pestanejar : qual é o partido do deputado Jair Bolsonaro, que aparece nas pesquisas de intenção de voto como o segundo colocado na disputa pela presidência da República em 2018? O apresentador Luciano Huck, também apontado como um forte presidenciável, está em qual agremiação? Ciro Gomes, que também sonha com o Planalto, vai ser candidato por qual legenda?

A dificuldade que a grande maioria terá em responder é reflexo de um fenômeno que vem se repetindo nas últimas eleições e tende a se agravar no próximo ano, qual seja, o papel secundário que os partidos vêm desempenhando nas disputas eleitorais.

A importância dos partidos ?

Já vínhamos observando, em disputas anteriores, que os partidos não são vistos pela população como seus canais de representação. Este quadro, muito provavelmente, ficou ainda mais agudo com as descobertas recentes de que as lideranças das principais agremiações, como PT, PMDB, PSDB, PP, PTB, se comportaram de uma maneira, digamos, não muito republicana nos últimos tempos.

Chama atenção a ojeriza cada vez maior que o eleitorado vem demonstrando em relação aos partidos, de uma forma geral.

Pesquisa encomendada recentemente pelo DEM, que busca dar uma repaginada em sua imagem, mostrou que a legenda é rejeitada por 60% do eleitorado. Em situação pior aparecem PSDB e PMDB, rejeitados por 75%, e o PT, por 62%.

As consequências do desgaste das agremiações partidárias para a jovem democracia brasileira deixo para análise dos cientistas políticos, mais qualificados para essa missão. Mas o fato é que, talvez mais do que em disputas anteriores, o nome do candidato, seja a presidente da República, governador, senador, deputado estadual ou federal, terá um peso ainda maior na corrida eleitoral do próximo ano.

Lula ?

Isso vale até mesmo para Lula, o presidenciável do PT, que até agora lidera com folga as pesquisas para 2018. De acordo com a última Datafolha, divulgada no último dia 2, o petista teria entre 34% e 37% das intenções de voto (dependendo dos concorrentes).  Mas o mesmo Datafolha, em levantamento recente, mostrou que o PT tem a preferência de 18% do eleitorado, dado que vem para confirmar o axioma de que Lula é muito maior do que seu partido.

E o que dizer do fenômeno Bolsonaro?

Abrigado numa legenda nanica (qual é mesmo?), vem aparecendo, nos últimos meses, como o segundo candidato preferido do eleitorado brasileiro nas pesquisas de intenção de voto.

O que o colocou nesse patamar não foi o seu partido, que quase ninguém sabe qual é, mas o seu discurso ultraconservador, por vezes homofóbico e xenófobo, a favor de uma política mais dura na segurança pública, com direito a flexibilização do porte de armas e até pena de morte. No partido A, B ou C, Jair Bolsonaro continuará agradando uma parcela considerável do eleitorado.

Luciano Huck

O global Luciano Huck ilustra ainda mais o desprezo que os brasileiros nutrem atualmente pelos partidos políticos. Apresentador de um programa na rede Globo, Huck passou a frequentar a lista dos presidenciáveis e mostrou potencial para a disputa.

Um dia antes de anunciar que não seria candidato (será mesmo que não?), a pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos mostrou que 60% dos entrevistados aprovam a forma como ele vem atuando no país. O que isso significa? Nada além do fato de ele ser famoso e de ser visto como um bom moço.

Luciano Huck, a quem interessar possa, não é filiado a nenhum partido. E se mudar de ideia e resolver ser candidato a presidente, a legenda pela qual ele concorrerá não fará a menor diferença. O que ele precisa é de tempo na TV – e no seu caso, nem precisa ser muito. Jair Bolsonaro, informa o site da Câmara dos Deputados, está no PSC, mas são recorrentes as notícias de que ele vai se abrigar em outra sigla.

Ciro Gomes

Já Ciro Gomes está hoje, circunstancialmente, no PDT. Mas já passou pelo PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB e PROS. Mais um sinal de que os partidos importam pouco.

Paulo Vasconcelos

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