Luciano Huck Nenhuma surpresa - Paulo Vasconcelos

Luciano Huck? Nenhuma surpresa

A aprovação ao nome do apresentador e presidenciável Luciano Huck, mostrada em recente pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos, foi tratada pela mídia como surpreendente. Digo, como venho dizendo desde 2015, que não há nenhuma surpresa neste caso. A se confirmar sua candidatura à presidência em 2018, a intenção de voto em Huck poderá dobrar com poucos dias de campanha. E por qual razão? Porque ele é famoso, conhecido. Simples assim.

Não faz muito tempo, escrevi um texto em que dizia que as próximas eleições, muito provavelmente, vão ficar na história como o pleito que vai eleger um grande número de candidatos famosos e alguns por serem somente ricos. Isso porque, com o prazo reduzido da campanha na TV e no rádio, e com recursos mais escassos, por conta das mudanças na legislação eleitoral, sairão na frente os candidatos endinheirados e as celebridades. É o caso de Huck, que é tanto famoso quanto rico.

Huck que é tanto famoso quanto rico - Paulo Vasconcelos

O endinheirado porque a campanha continuará custando dinheiro. Se o candidato for de São Paulo ou de Minas, terá que viajar a semana toda por milhares de quilômetros. Quem o fizer de avião terá grande vantagem. Mas, avião custa caro. E ele ainda terá que organizar eventos que vão exigir som, palco e toda uma parafernália, além de produzir material de campanha. Tudo isto custa dinheiro e ele não existirá para os comuns dos candidatos.

Aliás, tenho abordado esse fenômeno dos candidatos “outsideres” desde 2015. Já naquela eleição, o rico e o famoso começavam a ganhar espaço na cabeça do eleitor. O jornalista Lucas Mendes, comandante do programa Manhattan Connection, registrou este meu diagnóstico à época.

Os casos mais emblemáticos daquela eleição, que comprovam minha tese, foram Alexandre Kalil (mais famoso do que rico), eleito prefeito de Belo Horizonte, e João Dória (tanto rico quanto famoso), eleito prefeito de São Paulo.

Para a eleição de 2018 está claro que a sociedade, que vem esculhambando com os velhos políticos, está pedindo renovação. Mas com o encurtamento da campanha na TV atendendo a interesses inexplicáveis e as limitações impostas pela legislação eleitoral por desconhecimento de causa, será impossível a renovação se o candidato não for muito conhecido e/ou se não tiver um gordo caixa pessoal.

Simplesmente não haverá tempo para que seja apresentada uma ideia nova, ou um candidato “novo”. Não existe eleição majoritária fora da mídia de massa. As redes sociais talvez cumpram parte do papel. Mas elas têm sido usadas para a desconstrução. E continuarão assim enquanto o anonimato daqueles que destroem reputações continuar preservado.

Por essa razão, candidatos de partidos novos e de demais iniciativas assemelhadas dificilmente passarão dos cinco, dez pontos. E olhem lá! A não ser, evidentemente, que coloquem em suas chapas nomes já conhecidos. Puxadores de voto.

E aí vale lembrar que o eleitor não vota em um alto falante. Ele vota em uma pessoa quer ele conhecer, saber de onde veio, a família, a história, o que ele pensa, o que ele quer fazer no cargo para o qual está pedindo voto. E voltando ao caso do Huck: ninguém sabe o que ele pensa, o que ele pretende fazer, de qual partido ele é (até porque ele não está em nenhum). Mas ele é conhecido e a perspectiva de ser candidato já o coloca com larga margem de votos à frente de desconhecidos.

E se Luciano Huck ficar em silêncio até abril, data limite para a filiação partidária, estará distante do combate rasteiro, esquizofrênico e, por vezes, covarde das redes sociais, organizará o seu discurso e evitará gestos e atos inúteis. Quando chegar a hora e a vez da campanha na televisão, se ele for mesmo candidato, terá muito combustível para queimar.

A propósito, nem ele nem ninguém do seu staff pediu minha opinião, mas arrisco aqui a dar duas dicas ao apresentador Huck.

  • 1) pouco importa o partido a ser escolhido. Importa ter tempo de TV. E, no seu caso, dois a três minutos serão suficientes.
  • 2) fique longe dos políticos. Não tire fotos, não converse em público, repila, ignore. Você não precisa deles agora. Veja o caso de Alexandre Kalil: nenhum político esteve ao seu lado até que sua candidatura estivesse consolidada.

Então, Brasil, boa sorte em 2018 com uma eleição sem campanha e sem debate politico em horário nobre…

Paulo Vasconcelos

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