Eleições 2018 cenário indefinido - Paulo Vasconcelos

Eleições 2018 : cenário indefinido

O dia 7 de abril está chegando e, para o processo eleitoral, é mesmo uma data importante.

Até este dia, quem estiver pensando em disputar algum cargo eletivo nas eleições de outubro, seja para um cargo majoritário (presidente da República, governador, senador), ou proporcional (deputado federal e estadual), precisa estar filiado a um partido político. É também a data fatal para quem quiser mudar de partido, uma brecha aberta pela justiça eleitoral. Quem o fizer até essa data não corre o risco de ser acusado de infidelidade partidária, que pode provocar até mesmo a perda do mandato.

E é também o último dia para as chamadas desincompatibilizações – quem pretende concorrer a mandato eletivo deve afastar-se do cargo, emprego ou função pública, na grande maioria com seis meses de antecedência ao pleito. Mas se o político já tem um mandato eletivo, ele só precisa deixar o cargo se for concorrer a um mandato diferente. Por exemplo: se um governador for disputar a reeleição, ele não precisa deixar o cargo. Mas caso ele decida ser candidato ao Senado, aí, sim, ele precisa de desincompatibilizar.

o primeiro grande movimento do processo eleitoral

Faço esses lembretes porque tenho percebido uma grande inquietação, em especial em alguns veículos de comunicação, em relação ao 7 de abril. Se fosse comparar, e já que estamos entrando na Semana Santa, diria que esta data está mais para o almoço da Páscoa e, não, para o Natal, uma ocasião mais simbólica para os cristãos.

Quero dizer, com isso, que este é apenas o primeiro grande movimento do processo eleitoral que, ao que tudo indica, vai sofrer ainda grandes alterações até 5 de agosto, último dia para os partidos realizarem suas convenções para escolha dos candidatos e definir coligações.

Tenho ouvido muitos comentários do tipo:

“esse deputado não deveria se lançar candidato ao governo porque será engolido pelos adversários”; “o presidente da Câmara não deveria disputar a presidência da República porque suas chances são mínimas”.

Ora, como profissional de marketing político, sugiro que o candidato não perca a chance de ter, neste momento, um palanque e não abandone o jogo.

Quando, lá pra junho, chegar a hora da montagem definitiva da chapa, o político não será lembrado para disputar uma vaga ao Senado, por exemplo, se tiver sumido do processo. A partir do início de abril e até o último dia para a realização das convenções partidárias, o processo eleitoral entrará numa espécie de apagão, mas as negociações nos bastidores serão intensas.

Assim, se determinado político decidiu se apresentar, por agora, como candidato a governador, ele deverá permanecer nessa posição até que os ventos mudem. Ou, dito de outra forma, até que o pragmatismo, uma característica muito comum aos políticos, fale mais alto e as negociações indiquem que suas chances maiores talvez estejam na disputa por uma vaga de senador, integrando uma coligação com maiores chances de vitória.

Série Agente 86

Após as convenções partidárias, entraremos também num momento que promete ser um divisor de águas na campanha eleitoral. Refiro-me ao período em que a justiça eleitoral vai permitir o início dos debates entre os cargos de presidente e governador e, mais à frente, o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A partir daí, há um forte risco de que alguns candidatos entrem no cone do silêncio, como na famosa série Agente 86.

Para quem não se lembra – e muitos não se lembrarão -, Agente 86 foi uma série de televisão criada nos Estados Unidos na década de 60, reproduzida com grande sucesso em vários países, inclusive Brasil. Na comédia, que tinha como principais temas a espionagem e a Guerra Fria, o Agente 86, vivido pelo personagem Maxwel Smart, uma espécie de James Bond atrapalhado, usava uma parafernália quando precisava se comunicar secretamente com seu chefe. Mas a engenhoca nunca funcionava e nenhum entendia o que o outro dizia.

É o que pode acontecer com alguns candidatos

Cito dois, que me parecem mais emblemáticos. O primeiro deles é Marina Silva, hoje pré-candidata da Rede à Presidência da República. Ela terá um tempo curtíssimo no rádio e TV. Se não conseguir firmar coligação com outras legendas, as projeções indicam que ela terá menos de 13 segundos no horário gratuito. No caso dos comerciais de 30 segundos, os cálculos indicam que ela terá 30 segundos a cada dois dias.

E a não ser que haja alguma alteração até a data limite para mudança de partidos, ela corre o risco de ficar de fora também dos debates. Isso porque a legislação estabelece que as emissoras de rádio e TV só serão obrigadas a convidar para os debates candidatos de partidos com mais de cinco deputados federais. Não é o caso da Rede.

Situação dramática também deve ter o candidato do Partido Novo – caso tenha mesmo candidato ao Palácio do Planalto. A legenda, que já tem um discurso muito distante da realidade das pessoas comuns, onde está a maior parcela do eleitorado, não terá tempo de rádio e TV e, tudo indica, não estará também nos debates.

Ou seja, é como se os candidatos da Rede e do Partido Novo estivessem usando o cone do silêncio para se comunicar com o eleitorado. Terão, muito provavelmente, muitas dificuldades para se fazerem entender. Lembro aqui da velha raposa política Magalhães Pinto, que dizia que política é como nuvem. Você olha está de um jeito; segundo depois olha de novo e já está de outra forma. Apenas para dizer que o quadro eleitoral, até a data da eleição, deverá passar por grandes transformações.

Paulo Vasconcelos

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