Cartas na mesa - uma analise da disputa das eleições 2018 - paulo vasconcelos

“Cartas na mesa”, uma analise da disputa das eleições 2018

Findo o prazo para a realização das convenções, não há dúvidas de que o cenário da disputa para a presidência da República ficou mais claro, mas não está completamente definido.

Eleições 2018 : 13 candidatos

Teremos 13 candidatos, o maior número desde a eleição de 1989, e um tempo curtíssimo de campanha. Em especial na chamada campanha eletrônica, com apenas 35 dias para que cada um convença o eleitorado de que é a melhor alternativa para governar o país que anda, de fato, desgovernado.

Paulo Vasconcelos :  « faço aqui algumas considerações : »

A primeira: há uma grande dúvida sobre a capacidade que Lula terá de transferir voto para Fernando Haddad, uma vez que, na condição de vice, caberá a ele assumir a cabeça da chapa quando a Justiça Eleitoral declarar que o ex-presidente é inelegível. Isso porque a chance de que o petista seja candidato é próxima de zero, uma vez que ele já foi condenado em segunda instância, o que é um impeditivo para candidaturas, conforme a Lei da Ficha Lima.

Não me surpreenderá se Haddad já arrancar, assim que for confirmado como o candidato de Lula, com algo em torno de 20% das intenções de voto. O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Vox Populi e um dos mais experimentados profissionais em pesquisas eleitorais do país, tem dito que a capacidade de transferência de votos do ex-presidente será de no mínimo 20% dos votos, podendo chegar a um teto por volta de 32%. Tendo 20%, o petista, muito provavelmente, estará no segundo turno.

A segunda. Jair Bolsonaro lidera hoje as pesquisas de intenção de voto, com algo entre 20% e 25%, nos cenários em que o ex-presidente Lula é excluído. Acontece que o capitão terá apenas 9 segundos diários no programa eleitoral de rádio e TV, que começa no dia 31 de agosto. E especialmente o tempo da propaganda na televisão ainda continua sendo importantíssimo, diria até que decisivo.

Paulo Vasconcelos : O papel das redes sociais ?

As redes sociais serão suficientes e capazes de impulsionar sua candidatura? Pelo que estamos assistindo até agora, o mais provável é que não. Muitos presidenciáveis que estão na lista dos 13 definidos vêm fazendo um trabalho de grande qualidade na área digital sem, contudo, conseguir transformar esse esforço em votos. Por outro lado, as redes têm se revelado um excelente ambiente para desconstruir imagens e reputações, estratégia que os adversários certamente usarão contra Bolsonaro. Ou seja, ele deve botar as barbas de molho.

Tempo de propaganda eleitoral ?

A terceira. Situação muito parecida com Bolsonaro tem Marina Silva, da Rede. Ela vem pontuando muito bem nas pesquisas, aparecendo em segundo lugar na preferência do eleitorado, atrás de Bolsonaro. Mas como o capitão, Marina terá um tempo reduzidíssimo na propaganda eleitoral, de apenas 21 segundos por programa.

Com um bom recall de duas eleições presidenciais disputadas anteriormente, ela conseguiu, nas disputas anteriores, usar muito bem as redes sociais. Resta saber se elas serão também suficientes para assegurar a sua permanência na segunda posição, a ponto de levá-la ao segundo turno.

A quarta. Ciro Gomes é outro dos candidatos que vem aparecendo bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, geralmente na terceira posição. Mas tem também pouco tempo no horário da propaganda eleitoral gratuita, na casa dos 40 segundos, além de um ou dois comerciais de 30 segundos por dia, ao longo da programação das emissoras de TV e rádio. É pouco. Mas talvez o maior problema de Ciro, mais do que a falta de tempo na propaganda eleitoral, seja o seu temperamento, provavelmente o seu maior inimigo.

A candidatura própria do MDB

A quinta. Uma das novidades dessa campanha será a candidatura própria do MDB, que nas últimas disputas atuou sempre como linha auxiliar de outras legendas. O partido decidiu lançar como candidato o ex-ministro Henrique Meirelles, que tem como um de seus principais atributos a experiência, em especial na área econômica. Além de ter tirado o Brasil de duas crises econômicas.

Será de Meirelles o terceiro maior tempo na propaganda eleitoral, com quase dois minutos, pouco menos do que o PT, que terá algo em torno de dois minutos e 20 segundos. Enquanto o candidato petista terá cinco comerciais de 30 segundos a cada dia, o emedebista terá quatro. Trata-se de um tempo bastante razoável, o que provavelmente dará musculatura para sua candidatura.

Sexta. O tucano Geraldo Alckimin, que hoje não aparece muito bem nas pesquisas, conseguiu costurar uma aliança que vai lhe garantir 40% do tempo na propaganda eleitoral gratuita, em torno de 5 minutos e 30 segundos por dia, além de um pouco mais dez inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação diária. Trata-se de um capital invejável.

Não chegará a ser surpresa se com esse “latifúndio” na TV ele conseguir virar o jogo e crescer a ponto de disputar com um petista o segundo turno, reeditando a velha polarização PT/PSDB que vem se repetindo há anos.

Tudo somado, o que dá para dizer é que hoje só temos uma certeza. A TV ainda será, neste 2018, a principal ferramenta na concorrida disputa pelo Palácio do Planalto.

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